Os apps e o dólar alto

O Brasil entrou numa recessão. Numa explicação leiga e básica de economia, isso ocorreu em razão da falta de produtividade e fuga da poupança externa. Para manter a inflação controlada e pelas circunstâncias acima mencionadas, o dólar, que não é Red Bull, ganhou asas. E nesse voo de dar inveja à Ícaro, os brasileiros apenas assistiram à decolagem.

Quem dera a desvalorização da moeda nacional brasileira, o Real, fosse apenas mito. Além das inúmeras e complexas consequências desse evento, existe uma diretamente afetada e que nos interessa especificamente, o preço dos aplicativos da App Store. Há quem possa dizer, em tom crítico, que na loja de apps virtual da Apple vigora a ditadura do U$ 0,99, e que o desenvolvedor é praticamente obrigado a se sujeitar a esse preço.

Não conhecemos a realidade dos desenvolvedores, mas pelo lado do consumidor é possível afirmar que foi esse padrão de preço que nos permitiu transformar os nossos devices em verdadeiros canivetes suíços recheados de apps. Além disso, houve uma evolução comportamental sensível, pelo menos no Brasil, no hábito de pagar para usar um software. O preço bem acessível tornou a solução da pirataria mediante o jailbreak um esforço que não compensa.

Entretanto, a matemática parou de favorecer a honestidade, e principalmente a compra em dólar. O comprador, ao adquirir um app, por U$ 0,99, está atualmente desembolsando aproximadamente R$ 5,00, câmbio estimado, imposto e custo da transação bancária. Estamos falando de uma moeda, que há alguns anos estava emparelhada com dólar, 1 pra 1. Na linguagem popular “o barato está saindo caro”. Apesar da desvalorização do Real ser algo limitado ao Brasil, circularam notícias de aumento de preço de App Stores em alguns locais do mundo, Japão e Rússia por exemplo.

Será que em tempos de economia nefasta haverá um retrocesso nos hábitos digitais?

Em tempos remotos houve um debate sobre o uso da moeda nacional na App Store. É possível que diante desse quadro pessimista seja o momento oportuno de se implementar essa mudança para o pagamento de compras digitais. Nesse campo a Apple está bem atrasada, apesar de sua caminhada para se tornar uma empresa mais global, o sistema de pagamentos de sua loja de apps ainda é mal integrado ao uso de moedas locais.

A famosa loja virtual Steam provou que a migração do sistema de pagamentos é um empreendimento viável e que pode ser bem sucedido, de forma totalmente justa ao usuário nacional. Com o dólar nas alturas, caso a Apple não tome as medidas necessárias, uma das molas mais relevantes de seu ecossistema, a App Store, corre o risco de ser severamente enfraquecida, em países como o Brasil.

Em contrapartida, os famigerados aplicativos Freemium, que já infestam o mercado, deverão ganhar ainda mais relevo e poderão até servir de contra peso a uma possível irrelevância da Apple Store.

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