Quando a Apple se torna religião

Religião é poder, e conhecimento também é poder. Quando a religião se apodera do conhecimento e o monopoliza o poder se torna absoluto, basta lembrar da Igreja Católica e dos mosteiros, O nome da Rosa… Os fãs mais esbaforidos da Apple são alvos comuns para piadas de que a Maçã seria para eles quase uma religião.

Fazendo uma extrapolação despreocupada.

E num cenário hipotético futurista, bem que a Maçã poderia se tornar religião. Por que não? Os fãs da Maçã são numerosos e fiéis, ficando atrás, em número, apenas para os Apple Haters. A confiança na marca chega a se confundir com algo religioso. Acreditar no poder da Maçã simplesmente acontece, não existem limitações.  A fé é a confiança levada aos extremos. A fé não encontra limites, e os seus dogmas são construídos das formas mais extraordinárias. Na Índia a vaca é um animal sagrado; em uma das versões clássicas do filme O Planeta dos Macacos, uma parte da humanidade cultua uma ogiva nuclear; na Ásia se cultua um “sujeito gordinho sentado”; no ocidente se cultua uma pessoa que foi condenada e crucificada, os árabes acreditam que o profeta era uma pessoa que passou a fio de espada várias outras, e os exemplos são muitos e não param por aí.

Não sinta-se ofendido ou ofendida, devemos sair o máximo possível de nossas próprias perspectivas para sobrevoar o tema com uma visão mais diferenciada, mas todas as religiões e crenças aqui são respeitadas, e qualquer linha que pareça contrariar isso é mera conjectura intelectual.

Dito isso, as crenças parecem ser produzidas pelas circunstâncias e especificidades de cada região e povo em determinada época. Nada impediria então que a Apple viesse a se tornar uma religião, bastaria ocorrer o cenário propício. Glorificai a maçã do conhecimento, sagrada e concebida para trazer a perfeição ao planeta e preservar toda a sua riqueza, com o verde e com abundância de tecnologia. Fomos expulsos do Éden para trilharmos o progresso, para o qual qualquer preço é pouco e a ele tudo devemos. Salve o profeta Steve Jobs que sonhou com a iluminação do ser humano e previu um mundo melhor e pessoas mais felizes e amigas da tecnologia. Iluminai o caminho do futuro…

A Apple ainda não é uma religião, mas a companhia preza por determinados princípios quase sagrados. São esses mesmos valores que ela ostenta que a torna tão apreciada. Como não admirar o empenho numa filosofia de produção e comercialização voltada para a qualidade, funcionalidade, de uma empresa comprometida com a energia limpa e com tantos outros bons valores.

A empresa sediada em Cupertino conduz os seus negócios de forma religiosa e tradicional. Um monge se faz com disciplina. As religiões são as melhores vendedoras de idéias, nenhum marketing é melhor que a influência produzida pelas crenças religiosas. E por isso não é incomum, empresas admiradas como a Apple se inspirarem nesse tipo de “marketing”.

Veja por exemplo a escolha de locais para as suas lojas. Nota-se que os locais escolhidos para sediá-las são aqueles locais mais importantes, edifícios cheios de significados: algumas lojas de Nova York, como a da Quinta Avenida; a futura loja no World Trade Center, também em Nova York; a loja de Covent Garden na Inglaterra, a loja de Shangai… símbolos de poder e influência. As lojas físicas da Apple são verdadeiros templos, elas não existem apenas para vender produtos, a existência delas serve para provocar admiração, devoção, inspiração e confiança. Há uma forte simbologia e uma produção praticamente de mito. Aliás, de acordo com um estudo uma parcela de fãs da Maçã pode ter reações neurais nas mesmas regiões nas quais costuma se manifestar as reações provocadas por religiões. http://www.callahancreek.com/can-a-brand-be-like-a-religion

Tudo bem que religião costuma buscar a paz do espírito e a Apple provoca nos consumidores tudo, menos paz. Pra não ser totalmente injusto, a paz se alcança na compra do produto e produz um efeito que dura até o próximo lançamento.

É na hora que todos parecem de criticar o produto surge outro ingrediente religioso, a devoção. E os produtos da Apple assim como estão sempre na crista da onda são os mais criticados nos mínimos detalhes. A Apple ainda não se tornou religião.

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