Apple entre a privacidade e a segurança pública

Existe um debate em andamento nos Estados Unidos sobre sobre o grau de proteção que companhias como a Apple e o Google podem conferir às informações dos seus usuários. Estes últimos, nós, temos motivos para comemorar, todavia existem algumas vozes incomodadas com esse reduto digital.

No caso específico do iOS, a Apple foi talhando melhorias na segurança e privacidade do seu sistema com o fito de beneficiar os seus consumidores. O recurso de maior relevo foi a encriptação de dados pessoais, como fotos, mensagens, e-mails, histórico de chamadas, entre outras coisas.

Mais, com o advento do OS 8 a Apple não pode descriptografar ou extrair qualquer informação no seu dispositivo, mesmo que tenha sido obrigada a fazê-lo.

O atual Promotor de Justiça de Manhattan, seria no direito brasileiro lusitano, o equivalente a Chefe do Ministério Público local,  Cyrus Vance, afirmou em um seminário que vê esses recursos como “uma questão de segurança pública”, e crê que a Apple deveria ser forçada a descriptografar as informações de seus usuários.

Ainda de acordo com a autoridade, isso seria um “jogo de alto risco”, pois as empresas de tecnologia “tomaram uma decisão consciente, para fazer esses dispositivos inacessíveis” e “venderam esse peixe” como diferencial.

[OPINIÃO]

A decisão foi consciente sim, ela engloba uma política bem séria de privacidade e proteção aos usuários. As medidas tomadas pela Apple foi uma reação a desmedida exposição de dados de usuários perante órgãos governamentais e entidades privadas,  escandalosamente revelados por Edward Snowden, que divulgou vários estratagemas de monitoramento de dados privados e públicos; trouxe à luz ao mundo sobre o PRISM. Apesar de negar, existem fortes suspeitas que diversas companhias do ramo de tecnologia cooperavam com o referido programa da NSA.

Para desvencilhar a sua imagem de uma postura tão criticável e resgatar a confiança do mercado consumidor, a Apple trabalhou com afinco para oferecer aos seus consumidores uma tranquilidade em relação a proteção de seus dados. E mesmo com esse empenho, durante o ano de 2014 diversos eventos de exposição de dados e ataques hackers procuraram minar esses esforços.

O ano de 2014 houve uma expressiva conscientização da importância da privacidade nos meios digitais, e cada evento negativo só serviu para endurecer em favor da postura de torná-los mais seguros.

A questão é complexa e envolve dois temas gigantes, privacidade de um lado e segurança pública de outro. E se um primeiro momento pensarmos que se trata apenas da esfera individual em contraste com a coletividade, observando a questão em maior profundidade e se alongando nas ramificações deste problema poderemos entender a questão individual como coletiva também. O que dificulta ainda mais a resolução desse impasse.

A privacidade digital é uma das esferas mais íntimas de um indivíduo, e uma unidade fundamental que deve ser mantida protegida, e se apenas podermos escolher entre uma opção e a outra, sem qualquer meio termo, uma escolha razoável seria em favor de manter a total privacidade do indivíduo, e essa alternativa tem vistas para a própria sobrevivência da democracia, cujo sustentáculo depende cada vez mais da estrutura promovida pela tecnologia.

Então se os indivíduos são expostos e fragilizados em sua privacidade, sem segurança digital, criamos um ambiente propício para o surgimento de um sistema nos moldes do livro 1984.

E para refletirmos sobre o abacaxi, nada como um “quote” sempre atual de um dos pais da democracia moderna, numa sacada fenomenal que aborda exatamente esse antagonismo sobre o qual comentamos:

“Those who surrender freedom for security will not have, nor do they deserve, either one.”
― Benjamin Franklin

Fonte: Bloomberg

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