Apple Watch, uma tragédia anunciada ou sucesso divino

Esse ano a Apple trouxe à luz um de seus produtos mais aguardados, o iWatch.  Na verdade o nome escolhido foi outro, Apple Watch, e o gadget que foi mostrado ao mundo era um protótipo contendo apenas um demo. O lançamento foi embalado numa poderosa força mítica de marketing e a mídia dançou conforme a música. Entretanto, foi uma valsa permeada de sorrisos amarelos, eis que os jornalistas e blogueiros que sucedem em desenvolver laços com a Apple possuem os receios de perder essa regalia. A relação de Cupertino é assim, falem mal, falem sem mim. O resultado prático são críticas bem tímidas, quase não “críticas”.

Além disso, a Maçã alcançou tanta glória com os seus produtos refinados, de ponta, que aparenta estar revestida de uma aura divina. Ela realmente desfruta de uma situação ímpar, sendo uma das marcas mais valiosas do mundo, um lucro e um caixa maior que a de Estados nacionais. Sem dúvida alguma é uma companhia que está revolucionando a tecnologia, mas toda a sua grandeza será o suficiente para emplacar um relógio de pulso que tem uma autonomia de bateria diária?

O Apple Watch se chama em português Relógio da Apple, a empresa tem grandes planos para esse produto, para que ele seja muito mais que um mostrador de horas. Talvez o nome tenha sido o primeiro pecado da Maçã, pois na própria nomenclatura houve uma discreta limitação de atribuições desse objeto. Entretanto, talvez a grande falha tenha sido a busca dos projetistas do Loop Infinito de abraçar todas as funções possíveis ao mesmo tempo num só aparelho e o esforço de colocá-lo num patamar bem mais alto que o da concorrência. Pode ser que esses braços não alcancem tudo o que se quis abraçar.

Sir Ive e os propagandistas se vangloriam de um design impecável, mas mesmo os grandes apreciadores de arte podem dizer que o Apple Watch não passa de um iPod Nano 6ª geração assassinado, clonado e engordado para dar vida ao “Frankenstein” de linhas impecáveis, sem quaisquer retalhos.

Estaria esse promissor aparelho algo mais para conteúdo ficcional de Mary Shelley ou para tragédia real, como um Titanic? Nesse caso o iceberg já teria colidido com o casco, pois a autonomia de bateria pode ser considerada a “pequena” causa à botar uma grande ideia a pique. Noticias que circulam na “inter webs” dão conta que a projeção de vendas seria tão alta que o pedido da Apple para as parceiras fabricantes alcance mais de 40 milhões de unidades.

Em meados de março, quando iniciarem as vendas do relógio poderemos observar se no caso da Apple os números ainda seguem a razão, ou se a Maçã é divina. Intuitivamente esse quadro faz remeter ao filme “O homem que queria ser rei”, título original “The Man Who Would Be King”, que foi adaptado às telonas de cinema estrelando Michael Caine e Sean Connery. Sem adentrar mais em Hollywood, o que importa, vem aí spoiler, é o final da história: um deus que sangra não é um deus.

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